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Continuação/historia_da_imprensa_em Pernambuco,destaque para Vitória de santo antão

O VICTORIENSE - Jornal Noticioso e Comercial - Publicação
iniciada a 5 de novembro de 1866, não restam comprovantes dos três
primeiros anos de sua vivência.

Existe, nos escaninhos da Biblioteca Pública Estadual, exemplar do
nº 46, ano IV, de 20 de novembro de 1869. Impresso em tipografa
própria, situada à rua Imperial, 27, apresentou-se em formato 37 x 26,
com quatro páginas de três colunas de 14 cíceros. Trazia sob o título uma
faixa de composição miúdo, contendo o expediente — “Publica-se uma vez
por semana. Assina-se a 3$000 por trimestre (pagos adiantados)” — e
informes sobre as audiências do Juiz Municipal.

Não inseriu editorial que fornecesse uma idéia das tendências
políticas ou apolíticas do primeiro jornal do município, fundado e redigido
por Antão Borges Alves. Abriu a primeira página a seção “Atos Oficiais”,
seguindo-se-lhe “Revista Semanal”, constituída de noticiário; folhetim,
transcrição, variedades, a continuação dos Estatutos da Sociedade Recreio
Teatral Vitoriense, editais e anúncios.

Transferida a pesquisa para Vitória de Santo Antão, foi possível
manusear, na biblioteca do Instituto Histórico local, números esparsos e
muito raros d’O Victoriense, que vêm sendo, pouco a pouco, consumidos
pelo tempo. Assim o nº 24, ano IV, de 25 de junho de 1870,

77Cf. Alfredo de Carvalho, in “Anais da Imprensa Periódica Pernambucana - 1821/1908”.
Cometeu um lapso o historiador José Aragão - “A imprensa periódica da Vitória de Santo
Antão”, in vol. I da Revista do Instituto Histórico da Vitória de Santo Antão. 1954, ao
mencionar, à página 178, esta cidade como tendo sido a sexta, do interior de
Pernambuco, a ter jornal. Não, foi a quinta, com O Victoriense. Coube o sexto lugar a
Goiana, porque O Oriente, fundado a 8 de julho de 1866, era jornal recifense, só


acompanhando o ritmo do precedente, mas adotando tabela completa de
assinaturas, a saber: ano -12$000; semestre - 6$000; trimestre - 3$000.
De algumas edições resta, apenas, a folha correspondente às
páginas 3 e 4, como prova de pagamento de matéria do tipo “Solicitadas”.
Numa delas vê-se publicado um Edital, tendo à margem o recibo abaixo
transcrito, devidamente selado, datado de 18 de maio de 1874 e assinado
por Antão Borges Alves: “Recebi do Sr. Dr. Afonso José de Oliveira a
quantia de seis mil réis (6$000), da publicação do edital de arrematação
do engenho Mocotó”.

Outros comprovantes d’O Victoriense, com todas as quatro páginas,
embora mutiladas: nºs 19, 20 e 32, de 8 e 15 de maio e 10 de agosto de
1875, achando-se transferida a tipografia, junto ao escritório, para o nº 8
da mesma rua Imperial. Constava do sub-título: “Gazeta Noticiosa do
Interior de Pernambuco”. No terceiro dos mencionados iniciava-se novo
folhetim: “Uma história de sonhos”, com a assinatura Verba Volant.
Formato aumentado, páginas com quatro colunas de composição.
Passa-se para os nºs 35 e 45, de 25 de agosto e 10 de novembro de
1877. Mudara o sub-título para: Jornal Noticioso e Comercial, como
dantes. Novo endereço: rua Imperial, 43. Não deixou de constar, jamais,
o nome do proprietário - Antão Borges Alves.

Voltando à Biblioteca Pública do Estado, lá existem, ainda, os nºs 7 e
8, datados, respectivamente, de 2 e 9 de março de 1878. A par da
matéria de rotina, divulgava o folhetim “Solfa em lamiré”, a cargo de
Solfaute, especializado em criticar o “pasquim conservador”, ou seja, A
idéa Conservadora (outro jornal da cidade), além da colaboração política
de Justus e de comentários redacionais, no mesmo sentido.
Segundo, ainda, Alfredo de Carvalho, no estudo Gênese e progressos
da arte tipográfica em Pernambuco”, lª parte do volume dos “Anais”,
página 49, O Victoriense, “que, de 1870-76 (ver nota ao pé da página),
teve o título mudado para Correio de Santo Antão, publicou-se
regularmente até fins de 1878, quando o seu proprietário e principal
redator, mudando-se para Glória do Goitá, para lá transportou a mesma
imprensa e deu à luz O Goytaense”.

Decorridos 61 anos, reapareceu O Victoriense - nº 1, ano LXXII - a 8
de julho de 1939, em formato 48 x 32, com quatro páginas e lisonjeiro
aspecto material, tendo a redação e as oficinas instaladas à rua Barão do
Rio Branco, 90 e na praça Leão Coroado, 9, respectivamente. Diretor -
José Aragão Bezerra Cavalcanti. Tabela de assinaturas: ano - 12$000;
semestre - 6$000; mês - 1$000. Preço do exemplar - 0$300.
Aludindo ao retorno do primeiro jornal fundado na cidade, escreveu a
redação, no editorial de abertura:


O Victoriense corporificou o ideal de um batalhador; satisfez aos anseios de uma
geração sequiosa de luz; foi o primeiro lampejo da inteligência em nossa terra, o
marco mais profundo de nossas conquistas, o precursor de nossas vitórias nas lides
do pensamento. Por que, pois, em se tratando de imprensa, Vitória, deixar em
triste olvido, na poeira dos séculos, o nosso primeiro jornal, filho legítimo da nossa
inteligência com o nosso coração?

Ainda da primeira página constaram notas biográficas, com clichê, do
redator-fundador e uma carta do respectivo filho, de igual nome,
autorizando o professor José Aragão a fazer ressurgir O Victoriense,
cedendo-lhe todos os direitos sobre o respectivo título.
A edição inseriu bastante matéria, a salientar a colaboração de Mário
de Farias Castro, Joseph d’Alemmar (pseudônimo de Manuel de Holanda
Cavalcanti), Cícero Galvão, Severino Lira, Miss Elania (como se ocultava
Maria Isabel de Holanda) e F. Moura; as seções “O que O Vitoriense
publicava em 26/06/1875”; “Calendário Cívico”; “Seção Religiosa”; “Vida
Administrativa”; “Vida Esportiva” e “Notas Sociais”, e alguns anúncios.

Prosseguiu a publicação, ora semanal, ora quinzenal, incluida nova
seção: a “Coluna Feminina”, a cargo de Mary Ann. Vieram as
“Informações Uteis”; mais a divulgação de produções de Pelópidas de
Arroxelas Galvão, Crispim Alves, Lamartine de Farias Castro, Francisca
Sena, padre José Pessoa, além dos artigos e crônicas do diretor, assinados
ou não. Ocorriam, ainda, pelo tempo afora, “Perfis”, em versos, por
Iolanda; “Cócegas”, de Vinicius (outro travesti de Manuel Holanda);
“Ritmos do Século” e “Jóias Literárias”.

Sem passar das quatro páginas habituais, O Victoriense comemorou,
com seu nº 33, de 13 de julho de 1940, o transcurso do primeiro
aniversário da nova fase. Segundo o editorial alusivo, houve, no decurso
da jornada, “injustiças e compreensões”, que foram situadas, pelo
articulista, “dentro das vicissitudes humanas, dos espinhos da missão da
imprensa, sublime mas ingrata, e que, no interior, significa renúncia e
sacrificio”.

Interessante seção veio a criar-se depois: “Evocando o passado”. Iase
substituindo outras e apareciam diferentes colaboradores, tais como o
padre Antonio Alves, Corina de Holanda, Henrique de Holanda, Maria
Isabel de Holanda (afora o pseudônimo) e, pelo menos uma vez, Silvino
Lopes, enquanto se apresentava, como encarregado das finanças da
empresa, Jonas de Morais Andrade.

Ao atingir 1941, tinha início a “Coluna do Escoteirismo”, a cargo de
Alceu Vidal de Melo e, precisamente na edição de 8 de fevereiro, nascia
um jornal dentro do jornal: o “Jornal das Escolas”- ano I, nº 1 - ao ensejo
do começo do ano letivo, ocupando cerca de meia página, na 2ª,
destinado a divulgar o movimento do ensino primário e colaborações
infantis; não passou de nove inserções.


Liam-se, nas colunas d’O Victoriense, à época, produções de Manuel
de Holanda, Severino Lira e Teixeira de Albuquerque; contos e crônicas; a
seção “Sintonizando”; noticiário desportivo e geral e notas ilustradas, sob
o título “Panorama da Guerra”. A partir de 27 de junho de 1942, o diretor
José Aragão, que tinha assumido o cargo de prefeito do município, admitiu
um redator-chefe: Aloísio de Melo Xavier, e um redator-secretário: Júlio
Siqueira. Enquanto isto, juntavam-se redação e oficina no prédio nº 15 da
rua Barão do Rio Branco. Novos colaboradores: Clidenor Galvão e
Albertina Lagos.

Por pouco tempo vigorou a seção “Fustigando”, de versos
satírico-humorísticos, por Pinóquio. Às vezes, alterava-se o formato;
outras vezes parecia a folha impressa em papel de cor.
Circulou, a 6 de maio de 194378, em edição especial de 14 páginas,
comemorativa do centenário da elevação da antiga vila de Santo Antão à
categoria de cidade da Vitória, divulgando clichês de administradores
federal, estadual e municipal e personalidades de projeção local, noticiário
dos festejos do dia e produções originais de elementos de relevo nas
letras. Boa parte de reclames comerciais.

No ano em referência, desde 3 de julho, a direção adotou nova tabela
de assinaturas, tendo em vista a alta dos preços do material de imprensa,
a saber: ano - Cr$ 18,00; semestre - Cr$ 9,00; trimestre - Cr$ 4,50; mês
- Cr$ 1,50. Embora normalizado o formato de seis colunas de composição,
diminuiram os anúncios, incrementada, assim, a parte editorial, contando
com artigos assinados de José Aragão e diferentes produções de J.
Esberard Beltrão, Alcides Nicéas, o das “Missangas”; Italenda Mosel,
Áurius Júnior e Agamenon Magalliães, este mediante transcrições
autorizadas da Folha da Manhã, do Recife. Divulgava, em 1944, atos
oficiais da Prefeitura, já ocupada por diferente titular.

Prosseguindo, o semanário “noticioso e independente” Veio a reduzir
o formato a 28 de abril de 1945, ao sistema tabloide — 33 x 24, com
quatro colunas de composição — devido à reforma a que ia submeter-se a
tipografia. Passou, no entanto, a dar seis e, logo mais, oito páginas, sem
mais alterações, salvo a saída da redação, em novembro, do redator Júlio
Siqueira.

Ficou suspensa a publicação no ano seguinte, após a edição de 6 de
julho. Reapareceu ano LXXX, nº 1 - a 2 de março de 1947, com doze
páginas, ainda tablóide, feito quinzenário, usando tipagem nova, nítida
impressão, transferidas a redação e oficinas para a rua do Rosário, 36.
Assinaturas a Cr$ 24,00 ou Cr$ 12,00 por semestre, figurando, no
cabeçalho, o mesmo incansável e eficiente diretor.
“Não é uma ressurreição. É um retorno”, segundo a nota de abertura.
78 O ano do centenário coincidiu com o da assinatura da lei por força da qual o nome da
cidade mudou para Vitória de Santo Antão.


Tinha suspendido “por motivos imperiosos”. Voltava obedecendo ao
mesmo programa, para “servir, nobre e desinteressadamente, à terra e ao
povo de que recebeu o nome”.
Adotou as seções “Jornal Operário”; “Em quinze dias”, crônica de
Justino d’Ávila “Arte e Literatura”, a cargo do diretor-gerente Henrique de
Holanda Cavalcanti; “Perfil”; “Vida Forense”; “Figuras e Fatos da História
Pátria”, por Gurjão de Almeida ou José Aragão; “Vida Esportiva”, a cargo
de Beraldo Veras; “Pró & Contra”, de Verçosa Filho, que assumiu, no fim
do ano, a gerência, por morte do titular acima mencionado; “O Victoriense
no lar”; a jamais faltosa “Seção Religiosa”, etc.

Findou o regime de doze páginas uma vez divulgado o nº 16, de 5 de
outubro de 1947, para, no mês subsequente, dia 8, começar numeração
nova no formato maior, de cinco colunas de composição. Assim continuou,
entrando 1948, quando, em março, voltou a semanário e logo mais
estabelecia os seguintes índices de assinatura: ano - Cr$ 30,00; semestre
- Cr$ 15,00; trimestre - Cr$ 8,00. Aurino Valois firmava a “Coluna
Jurídica” e Verçosa Filho “A Crônica da Semana”.

Não era satisfatória a situação financeira d’O Victoriense, fatalidade
inerente a tudo quanto é jornal interiorano. Muito oportuno foi, a respeito,
o editorial de sua edição de 24 de julho, sob o título “Cooperação”, tema
este focalizado em cores vivas. No caso da imprensa, por exemplo: fala-se
da necessidade de um jornal, para tratar “dos problemas locais,
movimentar o meio, incentivar a vida social, pugnar pelos interesses das
classes e grupos, ventilar os assuntos administrativos, econômicos,

educacionais, etc.”, porque “o jornal é o do progresso, os pulmões do
povo”, etc., “Mas, quando chega o recebedor das assinaturas, tem de
bater mil e uma vezes à porta e subir verdeiro calvário”, para regressar
carregado de desculpas. Concluiu o articulista: “E a cooperação, a boa, a
boa vontade para o engrandecimento da terra, mãe comum dos vivente,
que somos nós? Fica sempre nas débeis cordas da lira”.

Não era possível ir muito longe mais, O valente periódico terminou
seus dias com o nº 10 do ano LXXXIII, que saiu a lume no dia 1 de agosto
de 1948, o qual comemorou, como era praxe todos os anos, o dia da
vitória, no monte das Tabocas, contra o domínio holandês em
Pernambuco79 (Biblioteca Pública do Estado).

O ECHO LIBERAL - Periódico Político e Noticioso - Impresso em
tipografia instalada á rua Imperial, 20, “o nº 1 do ano I saiu a 19 de
setembro de 1868 e a publicação perdurou até fins de abril de 1869”. É o
que consta dos “Anais”, de Alfredo de Carvalho, não restando
79 O Victoriense voltou a publicar-se, por alguns meses, em 1956, feito órgão do Instituto
Histórico de Vitória de Santo Antão, ao qual José Aragão transferiu os direitos adquiridos.
Reaparecendo em 1965, comemorou, no ano seguinte, o centenário de sua fundação.


comprovantes.
Acusando o recebimento do nº 2, o periódico A Opinião Nacional, do
Recife, em sua edição. de 7 de outubro, confirmou que era proprietário da
folha liberal Manuel Bernardo Gomes Silvério.
O mesmo órgão recifense, a 14 de janeiro de 1869, ao referir-se à
publicação do nº 1, ano II, d’ O Echo Liberal, acrescentou: “Sentimos
profundamente o desacato que sofreu o seu proprietário e redator, vítima,
como tantos outros campeões da imprensa nestes tempos de harmonia
dos brasileiros, das infâmias dos agentes do governo”.
A ocorrência, verificada às 19 horas do dia 23 de dezembro, foi assim
narrada pelo diário O Liberal, também do Recife, edição de 16 de janeiro
de 1869:
De um grupo onde se achava o subdelegado saiu um soldado, quando passava o
paciente para sua casa, e a poucos passos espancou-o cruelmente, deixando-o
cortado pelos peitos com o azorrague de que estava premunido, sem haver um só
dentre tantos que acercavam o subdelegado que o fosse tirar das mãos do algoz, o
qual, depois de cometido o crime, voltou, mansa e pacificamente, ao seu primitivo
lugar.
Acentuou o narrador que a gazeta victoriense havia falado do
subdelegado, “publicando alguns fatos criminosos que lhe eram
atribuidos”. O ofendido dirigiu-se à capital do Estado, apresentando queixa
ao Conde de Baependy, presidente da Província.
Chamava-se João de Góis a atrabiliária autoridade policial, que
houvera, inclusive, ameaçado empastelar a tipografia onde se imprimia o
jornal de Gomes Silvério.

O LIBERAL VICTORIENSE - Semanário Democrático e Literário -
Noticiou o Jornal do Recife, de 14 de maio de 1869, haver sido
obsequiado, “pela respectiva redação, com o primeiro número” da nova
folha, publicado no dia 8. Sucedendo a O Echo Liberal, imprimiu-se na
mesma tipografia, sob a direção de Manuel Bernardo Gomes Silvério.
Apresentava o slogan: “Quando a liberdade periga, todo cidadão deve ser
um revolucionário”.

Jornal de vida extensa, dele só existem, na Biblioteca Pública do
Estado, dois comprovantes: nº 5, ano V, de 19 de maio de 1873, não mais
exibindo o slogan e com editorial de crítica a O Município, e nº 164, ano
VIII, de 27 de janeiro de 1877. Tinha bom formato 36 x 27, com quatro
páginas a quatro colunas de composição. Assinava-se a 10$000 por
anualidade, acrescidos de 2$000 para fora da cidade; o semestre a 6$000
e o trimestre a 3$000.
O mencionado nº 164 atacou, avidamente, o Juiz de Direito local


Marcos Correia da Câmara Tamarindo, que tinha cobertura de defesa por
parte do periódico Idéa Conservadora. Duas páginas da edição eram
dedicadas a anúncios.
Embora Alfredo de Carvalho tenha registrado, nos “Anais”, que O

Liberal Victoriense só viveu até meados de 1877, a publicação foi mais
além. Existe, por exemplo, na biblioteca do Instituto Histórico de Vitória
de Santo Antão, comprovante do nº 208, ano IX, de 6 de abril de 1878,
em formato 48 x 32, com quatro páginas a quatro colunas de 14 cíceros.
Constava do cabeçalho, abaixo do título: “Semanário Democrático,
Noticioso e Literário, dedicado aos Interesses do Povo pernambucano”.
Abriu a edição o editorial “O Gabinete Liberal”, atacando os
“conservadores perdidos na opinião, gastos e corrompidos que a todo
transe se querem filiar à democracia, tendo somente em vista o interesse
pessoal”. Concluiu, após uma série de considerações: “O Liberal

Victoriense que, por força das circunstâncias, tinha-se eclipsado entre as
brancas nuvens da liberdade, volta ao seu antigo posto de honra,
equipado de carabina ao ombro”.
Seguiu-se matéria de rotina, complementando-a duas páginas de
reclames comerciais.

Ainda mais: A Província, do Recife, louvando o jornalista Manuel
Bernardo Gomes Silvério, “esforçado paladino da imprensa liberal na
cidade da Vitória”, em sua edição de 9 de maio de 1878, reproduziu o
artigo comemorativo da edição de aniversário d’O Liberal Victoriense,
acompanhando-lhe o erro de “dez anos”, em lugar de nove. Dele vão aqui
transcritos os tópicos principais, que definem até onde afirmava o
idealismo de um homem devotado à sua causa e ao seu jornal:

“Dez anos de existência completa a nossa gazeta. Contamos dez anos
de sacrifícios, vexames e contrariedades; até o próprio sangue serviu de
holocausto aos assassinos que policiavam esta vitória em 1868, cujos
remorsos e crimes trucidam-lhes as negras almas. Nunca vimos perigos
que não os agrontássemos, embora cercados de ameaças e perseguições.
Muitas vezes tentaram rebentar a nossa imprensa; repetidas vezes
tentaram também contra a nossa existência; porém, para desesperá-los
de raiva, para cauterizar tão cancerosas chagas, pouco valor dávamos à
vida; lutamos desesperadamente. A nossa tenacidade era aplaudida pela
imprensa democrática do país”.

CORREIO DE SANTO ANTÃO - Jornal Politico, Noticioso e Comercial
- Iniciou sua publicação em janeiro de 1871, em substituição a O
Victoriense, conforme o registro dos “Anais”, de Alfredo Carvalho80.
80 O historiador focalizou o Correio de Santo Antão como tendo existido, na qualidade de
substituto, “até 1876” (pág. 319 dos “Anais”) ou até “dezembro de 1975” (pág. 336).

Prosseguiu, alguns anos afora, dele restando raros exemplares. O nº
45, ano V, circulou a 11 de novembro de 1871, em formato 47 x 31, com
quatro páginas a quatro colunas de 14 cíceros. Propriedade de Antão
Borges Alves, que era também redator, imprimia-se em tipografia própria,
situada na rua Imperial, 27. Semanário, assinava-se a 3$000 por
trimestre, pagos adiantamente. Anúncios - 100 réis a linha.
A edição em apreço inseriu editorial, noticiário, variedades, soneto de
A.P.C.A., audiências do juiz municipal e deu início ao folhetim, em rodapé,
“Amélia”, com a assinatura “de um nosso amigo”. Toda uma página de
reclames comerciais.

Outro comprovante manuseado: nº 17, ano VII, de 26 de abril de
1873, do qual constava a seguinte tabela de assinaturas: ano 12$000;
semestre - 6$000; trimestre - 3$000. Ocupou toda a primeira página o
começo da matéria intitulada “Traços biográficos do Comendador Tiburtino
Pinto Almeida”, seguindo-se “Gazetilha”, “A pedidos” e o folhetinm (já na
32 parte) “As três irmãs”, de Camilo Castelo Branco.
Ainda: um exemplar (mutilado), de 3 de outubro de 1873, e o nº 53,
ano VII, de 17 de janeiro de 1874, acompanhando o ritmo anterior
Biblioteca do Instituto Hist. de Vitória).
Na Biblioteca Pública do Estado, existe, finalmente, entre os avulsos,
o Correio de Santo Antão de nº 50, ano V (?), de 16 de dezembro de
1875.

Luís do Nascimento

fonte http://www.fundaj.gov.br/

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