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Funcionárias públicas suspeitas de desviar merenda em PE são presas

Crime foi descoberto em 1995, após denúncias e auditoria no Ceasa.
Mulheres devem cumprir pena de mais de oito anos de prisão.


Um crime descoberto em 1995, quando alimentos que compunham a merenda de algumas escolas da rede estadual de Pernambuco não chegavam, na totalidade, aos estudantes, começou a ter seus suspeitos punidos. A polícia prendeu, na sexta-feira (14), duas ex-funcionárias públicas da Secretaria de Educação suspeitas de comandar uma quadrilha que desviava a comida – o prejuízo pelo crime pode chegar a mais de R$ 2,6 milhões.

O início das investigações aconteceu após a reclamação das escolas estaduais da cidade de Vitória de Santo Antão, na Mata Sul de Pernambuco. Coordenadores procuraram a Secretaria de Educação para contar que não estavam recebendo a quantidade certa de merenda destinada às instituições.

A partir daí, a investigação partiu para o Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa/PE), de onde os alimentos saíam. "Em uma auditoria interna, percebeu-se realmente que havia um grande desvio. Não coincidia a saída de mercadoria com os talonários [livros de notas fiscais] de saída", contou a delegada Beatriz Gibson, da Delegacia de Capturas, responsável pela prisão.

Logo depois, foi descoberta a atuação da quadrilha. Além das duas mulheres presas, que eram responsáveis pela ordem de entrega de merendas através da Diretoria Executiva de Apoio ao Aluno, havia mais três pessoas: outra mulher que já faleceu e dois homens suspeitos de realizar o transporte da mercadoria desviada. O Ministéria Público fez a denúncia à Justiça, que, só na quinta-feira (13) emitiu o mandado de prisão. "A demora é normal, porque chega a denúncia, audiências são remarcadas, tem os recursos", contou a delegada. Desde 1995 que as suspeitas estavam afastadas das funções.

O depósito do grupo ficava localizado no bairro de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes. "A demanda ficou tão grande que chegaram a contratar outro motorista. Na auditoria, percebeu-se que aquela placa [do caminhão] não pertencia a nenhuma empresa que prestava serviço ao estado", explicou a delegada Beatriz.

A primeira sentença determinada pela Justiça aconteceu em 2008. Entretanto, os dois homens entraram com recurso e ganharam, utilizando o argumento da prescrição do crime - a pena deles era menor por não pertencer ao serviço público. O mandado de prisão, de 8 anos e 5 meses de prisão, foi expedido apenas contra as duas mulheres, na quinta. "De posse do talonário, com a própria letra, elas preenchiam três vias com carbono. Essas três vias eram preenchidas corretamente, mas a quarta via, sem carbono, elas preenchiam da maneira de se apropriar da mercadoria. Essa era a via que ficava com elas, porque era a que saía do Ceasa. As vias carbonadas eram encaminhadas aos órgãos", detalhou a delegada.

Dentre os produtos desviados, estão aqueles utilizados em grande quantidade pelos estudantes, como leite, biscoito, bolacha, macarrão e sardinha. As duas suspeitas vão responder pelos crimes de peculato, falsidade ideológica e formação de quadrilha, Elas seguiram para a Colônia Penal Feminina de Abreu e Lima, onde ficam à disposição da Justiça


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