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Baile no Recife com o Imperador D.Pedro II

BAILE NO RECIFE EM 22.12.1859
Na célebre visita do Imperador D.Pedro II ao Recife no fim do ano de 1859,
aconteceu um grande e pomposo baile em sua homenagem, oferecido pela
Associação Comercial de Pernambuco. Aqui damos alguns subsídios históricogenealógicos
das pessoas que dançaram com o Imperador e sua esposa, a
Imperatriz Teresa Cristina, baseados na notícia do Jornal do Recife de 24.12
daquele ano, transcrita abaixo em partes, conforme as danças, guardadas as
incorreções e grafia da época.
Carlos Eduardo de Almeida Barata
Regina Cascão Viana
Nota:
Vis-a-vis – segundo o Dicionário Aurélio, a expressão significa 1. em face, defronte;
2. pessoa sentada ou colocada na frente de outra num bailado, à mesa ou numa
quadrilha, etc.
1.ª CONTRA-DANÇA
(quatro pares)
“O baile dado na noite de quinta-feira pela Associação Commercial beneficente foi
uma festa grandiosa como, naquelle genero, Pernambuco não tem visto outra. As 9
horas e meia da noite, os tres enormes salões do primeiro andar do edificio Pedro
II, com 200 palmos de cumprimento cada um, convenientemente ornados e
allumiados a gaz, continham para cima de 1400 convidados.As 10 horas tocou-se a
primeira contradansa que SM o Imperador dignou-se dansar com a Sra.
Viscondessa de Boa Vista, tendo por vis-a-vis o Sr. João Pinto de Lemos Junior com
a senhora do General Coelho. SM a Imperatriz dignou-se dansar com o Sr. Ministro
do Império, tendo por vis-a-vis o Sr. deputado Ferreira de Aguiar com a Sra. do Dr.
Freitas Henriques.”
1.º Par
Maria Ana Francisca Cavalcanti de Albuquerque Maranhão (Viscondessa da
Boa Vista) dança com
D. Pedro II
D. Pedro II dança com Maria Ana Francisca Cavalcanti de Albuquerque Maranhão,
nascida em 1816, e falecida em 25.02.1891, no Recife – Pernambuco. Por ocasião
do baile, era viscondessa da Boa Vista, título que usava por estar casada com o
então Visconde da Boa Vista, brigadeiro Francisco do Rego Barros – citado adiante.
Maria Ana Francisca Cavalcanti de Albuquerque Maranhão era filha de Afonso de
Albuquerque Maranhão, nascido por volta de 1774, e falecido em 10.07.1836, no
Rio de Janeiro, onde se encontrava ocupando uma cadeira no Senado,
representando o Rio Grande do Norte. Era casado com Maria Ana Cavalcanti do
Rego Barros, falecida em 13.08.1876.
Tinha, então, o título de Viscondessa da Boa Vista, por seu casamento com
Francisco do Rego Barros, antes Barão da Boa Vista, por decreto de 18.07.1841, e
que havia sido elevado a visconde do mesmo nome por decreto de 02.12.1854.
Finalmente, por Decreto de 28.08.1860, foi elevado a Conde da Boa Vista e, ela,
consequentemente, passou a assinar-se Condessa da Boa Vista.
2.º Par
João Pinto de Lemos Júnior dança com a senhora do General Coelho
João Pinto de Lemos Junior nasceu no Recife, tendo sido batizado em 1819 na
Matriz do Corpo Santo, e falecido em 06.01.1896. Filho de João Pinto de Lemos,
português nascido em 14.01.1796 na Freg. de Santo Ildefonso, cidade do Porto, e
sua primeira mulher Maria Libania dos Santos, portuguesa nascida no mesmo ano
que seu marido, em Lisboa, Freg. N. Sra das Mercês.
Proprietário e comerciante conceituado na praça recifense, casou-se em 13.03.1841
na mesma Matriz onde se batizara, com Joaquina Clara de Gusmão Coelho, n.
18.08.1823 no Recife, bat. na Matriz do Santíssimo Sacramento de Santo Antonio
do Recife, filha de José Joaquim Coelho e Maria Bernardina de Gusmão, Barões da
Vitória. Pais de:
I-1. João (Pinto de Lemos Neto), n. 02.01.1842, Recife, fal.
13.04.1843, Recife.
I-2. Amalia Coelho de Lemos,n. 26.02. 1844, Recife, fal. 21.10.1894,
Recife. Casada em 09.12.18971 com Eduardo Augusto de Oliveira,
filho dos Barões de Beberibe. Com geração, 5 filhos.
I-3. Maria Emilia Coelho de Lemos,n. 06.10.1845, Recife, fal.
01.07.1875, Recife. Casada em 10.02.1872 com Antonio José da
Costa Guimarães, filho de Domingos José da Costa Guimarães e
Ana Felicia Branca Guimarães. Com geração, uma filha.
I-4. Emilia Coelho de Lemos, n. 23.08.1847, em águas territoriais
francesas, no Golfo de Lyon, bat. em Barcelona, Espanha; fal.
05.03.1930, Recife. Casada em 20.10.1888 com João Joaquim de
Freitas Henriques, filho de João Antonio de Araújo Freitas
Henriques e Amália de Gusmão Coelho. Com geração, 1 filho. O
casal Emilia – João Joaquim é citado adiante, nesta mesma dança.
Há citação a respeito de João Pinto de Lemos Junior nos Anais da BN - 1950:
"Revolução de Pernambuco de 1848 a 1849", quando se fala sobre sua atuação
como comandante da Cavalaria de voluntários. Por esta atuação na Revolução
Praieira, foi-lhe concedido grau de cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro “em
consideração aos serviços prestados em defesa da ordem pública na Província de
Pernambuco” em 14 de março de 1849.
Proprietário e comerciante no Recife. Era membro da Associação Comercial de
Pernambuco, da qual seu pai foi fundador e dirigente, tendo ele mesmo sido vicepresidente
de 1851 a 1854. Foi também administrador do Teatro Santa Isabel,
cargo no qual se aposentou. O genro Eduardo Augusto de Oliveira, marido de sua
filha Amália, também ocupou o mesmo cargo de administrador desse teatro.
No ano de 1860, querendo o Imperador D. Pedro II manifestar o seu apreço pela
hospitalidade recebida em Pernambuco, que originou o baile em pauta neste artigo,
agraciou-o com a Ordem da Rosa, no grau de Oficial.
2.º Par
A Senhora do General Coelho (Maria Bernardina de Gusmão) dança com João
Pinto de Lemos Júnior
João Pinto de Lemos Junior dançou com sua sogra, Maria Bernardina de Gusmão,
esposa do General Coelho. Aos 51 anos de idade, a esposa do General José
Joaquim Coelho teve a honra de participar da primeira Dança, em companhia de
seu genro.
Maria Bernardina de Gusmão nasceu em 1808, em Porto Calvo, Pernambuco, e
faleceu em 01.04.1885, com a idade de 77 anos, na cidade de Olinda, Pernambuco,
sendo sepultada no cemitério público do Recife. Era filha do capitão-mor Joaquim
Estanilau da Silva Gusmão e de Inácia Maria de Jesus.
Casou-se em 1822 com o citado José Joaquim Coelho, n. em 25.09.1797, em
Lisboa, Portugal, e falecido seis meses depois do baile, em 09.06.1860, no Recife.
Filho de Joaquim José Coelho e de Maria Teresa de Jesus.
José Joaquim foi Brigadeiro, Marechal de Campo, Tenente-general Comandante das
Armas da Província de Pernambuco. Sentou Praça a 23.04.1814. Promovido a
Alferes, a 18.10.1823. Promovido a Tenente, a 08.03.1825. Promovido a Capitão a
15.06.1825. Promovido a Major a 02.08.1825. Promovido a Tenente Coronel a
05.02.1827. Promovido a Coronel a 20.08.1838. Promovido a Brigadeiro a
02.12.1839. Promovido a Marechal de Campo a 14.03.1849. Promovido a Tenente
General graduado a 02.12.1856. Em 1857 era Comandante das Armas da Província
de Pernambuco e, pouco depois, efetivado no posto de Tenente-General, patente
que apresentava quando da visita da Comitiva Imperial a Pernambuco, 1859.
Não há notícias de que o General Coelho estivesse presente no baile onde
dançaram sua esposa e filha. É possível que estivesse a serviço, ou quem sabe já
fatigado pela idade, 62 anos, ou talvez enfermo, pois, como dito acima, pouco mais
de cinco meses depois do baile, viria a falecer. No entanto, Imperador D. Pedro II
lembrou-se dele e de sua família na recepção oferecida, e, após o seu retorno à
Corte no Rio de Janeiro, incluiu o Gal. Coelho na lista dos agraciados em
manifestação do seu apreço àquela hospitalidade, concedendo-lhe por Decreto de
14.03.1860, o título de Barão da Vitória.
Cavaleiro Fidalgo da Casa Imperial. Grão Cruz da Ordem de São Bento de Aviz,
Dignatário da Imperial Ordem do Cruzeiro. Medalha de Divisão cooperadora da Boa
Ordem.
Maria Bernardina e José Joaquim tiveram cinco filhos e quatro filhas, a saber:
I-1. Demétrio Gusmão Coelho, casada com Maria Augusta de Almeida.
I-2. Guilhermina Gusmão Coelho, casada com João Hermenegildo
Borges Diniz.
I-3. Horácio Gusmão Coelho, falecido solteiro.
I-4. Joaquim Gusmão Coelho, casado com Francisca Cavalcanti de
Albuquerque de Souza Leão, filha do capitão Manuel Cavalcanti de
Albuquerque e de Francisca de Paula Pessoa de Melo.
I-5. Rita de Cássia Coelho, casada com Manuel do Rego Macedo,
médico da Imperial Câmara. Com geração.
I-6. Virgilio de Gusmão Coelho, casado com Emilia Augusta de Oliveira.
I-7. José Joaquim Coelho Filho, oficial do Exército, casado com
Adelaide. Com geração. José Joaquim participou do desfile militar
que aconteceu na noite de 25 de novembro, para saudar o
Imperador que, em seu diário de viagem, registra a sua presença,
sustentando uma das bandeiras.
I-8. Joaquina Clara Gusmão Coelho, nascida em 18.08.1823, no Recife,
PE. Casada em 13.03.1841, na Matriz do Corpo Santo, Recife, com
João Pinto de Lemos Júnior, já citado acima como par da sogra
(mãe de Joaquina).
I-9. Amália Gusmão Coelho, que também teve a honra de dançar no
mesmo baile, formando o quarto par da primeira dança, com o
Deputado João José Ferreira de Aguiar – citados adiante. Era
casada com o desembargador João Antonio de Araújo Freitas
Henriques.
3.º Par
O Ministro do Império (João de Almeida Pereira Filho) dança com a
Imperatriz D. Teresa Cristina
Teresa Cristina dança com o conselheiro João de Almeida Pereira Filho, Ministro do
Império, nascido em 09.06.1826, na fazenda do Queimado, em Campos, Província
do Rio de Janeiro, e falecido em 02.07.1883, no Rio de Janeiro. Filho de João de
Almeida Pereira, homem de espírito bandeirante, devastador de sertões, onde
fundou diversas fazendas, entre elas a dos Patos e Batalha, em Campos, e a de São
Lourenço, em Cambuci; e de Ana Luzia de Almeida.
Advogado, literato, jornalista e político. Feitos seus preparatórios, seguiu para São
Paulo, onde se matriculou na Academia de Direito, e formou-se em ciências sociais
e jurídicas na turma de 1850. Foi contemporâneo de José de Alencar e Francisco
Otaviano nos bancos escolares. Quando estudante, fundou em São Paulo, com José
de Alencar e outros, o jornal acadêmico “Ensaios Literários”, em 1847. Em 1851
praticou advocacia no Rio de Janeiro. Foi juiz municipal, juiz de órfãos, e deputado
provincial. Secretário do governo da Província do Rio de Janeiro.
Deputado à Assembléia Geral Legislativa pela Província do Rio de Janeiro, na 10.ª
legislatura, de 03.05.1857 a 16.08.1860, com duas substituições: de 03.05.1858 a
14.06.1858, e de 04.08.1859 a 11.09.1859. Exerceu, ainda, durante o seu
mandado, o cargo executivo de Presidente mesma Província, de 10.01.1859 a
24.04.1859. Foi no decorrer deste mandato que assinou o ato de criação da Vila de
Araruama, em 09.02.1859.
Acompanhou a Família Imperial em sua viagem ao norte do Brasil, embarcando
como Ministro itinerante, segundo o decreto de 17.09.1859. Exerceu este cargo de
Ministro dos Negócios do Império no gabinete organizado pelo conselheiro Angelo
Muniz da Silva Ferraz, depois Barão de Uruguaiana, até 02.03.1861. Acompanhou
suas majestades imperiais na viagem que fizeram ao norte e, na véspera do
retorno da Comitiva Imperial ao Rio de Janeiro, no famoso baile de despedida,
objeto deste artigo, teve a honra de dançar com a Imperatriz Teresa Cristina.
Novamente Deputado Geral pelo Rio de Janeiro, nas 11.ª e 12.ª legislaturas,
respectivamente: de 03.05.1861 a 12.05.1863, e 11.05.1869 a 22.05.1872.
Orador notável. Membro do partido conservador, ao qual prestou relevantes
serviços. Foi colaborador no jornal Correio Mercantil, órgão de idéias liberais, que
circulou no Rio de Janeiro, entre 1848 e 1868.Conselheiro do Império. Veador de
S.M. a Imperatriz em 1860. Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial. Cavaleiro da
Ordem de Cristo.
Lavrador importante nos municípios de Campos e de Macaé, na província do Rio de
Janeiro. Casado em 10.02.1852, com sua prima Mariana Antonia de Castro
Carneiro, nascida em 02.07.1835, em Quissamã, Rio de Janeiro, e falecida em
25.05.1914, na Fazenda Mato de Pipa, também em Quissamã, filha do 1.º Visconde
de Araruama, José Carneiro da Silva, e de Francisca Antonia Carneiro Ribeiro de
Castro – descendente de família de povoadores da cidade do Rio de Janeiro, no
século XVI. Pais de:
I-1. Mariana Francisca de Almeida Pereira, n. 05.03.1853, e fal.
15.11.1941, solteira. Professora em Campos e Quissamã, Rio de
Janeiro.
I-2. Francisca Mariana de Almeida Pereira, n. 28.04.1854, e fal.
26.08.1900, solteira.
I-3. João de Almeida Pereira, que faleceu jovem, no Rio de Janeiro.
I-4. José de Almeida Pereira, que foi casado com Francília Morais,
natural de Santa Maria Madalena.
I-5. Bento Carneiro de Almeida Pereira, bacharel em direito pela
Faculdade de Direito de São Paulo. Promotor Público, Deputado
estadual e federal pelo Estado do Rio de Janeiro. Casado com
Maria Francisca Carneiro de Queiroz Matoso. Com geração.
I-6. Ana Luzia de Almeida Pereira, n. 06.09.1859¸ fal. 11.06.1899,
solteira.
I-7. Maria Amélia de Almeida Pereira, n. 08.06.1861, fal. 19.03.1933,
na Fazenda Mato de Pipa, Quissamã, RJ. Casada com seu primo
José Joaquim de Almeida Alves Cunha, fal. 1892, em Macaé, Rio
de Janeiro. Com geração.
I-8. Pedro Paulo de Almeida Pereira, bacharel em Direito pela
Faculdade de Direito de São Paulo. Promotor Público, Juiz de
Direito em Santa Maria Madalena e Campos. Deputado estadual
em Campos. Casado com Maria Carlota de Castro Carneiro, com
geração.
I-9. Maria Isabel de Almeida Pereira, n. 25.04.1864, fal. 02.06.1924,
na Fazenda Mato de Pipa, Quissamã, RJ. Casada com seu primo
Lourenço Carneiro de Almeida Pereira. Com geração.
I-10. Maria da Piedade de Almeida Pereira, n. 07.06.1868, fal.
27.09.1961. Casada com seu primo Manuel Carneiro de Almeida
Pereira. Com geração.
I-11. João de Almeida Pereira II, fal . 1925, no Rio de Janeiro – solteiro.
I-12. Maria da Conceição de Almeida Pereira, n. 25.09.1870, fal.
03.06.1930, solteira.
4.º Par
Deputado Ferreira de Aguiar (João José Ferreira de Aguiar) dança com a
Sra. do Dr. Freitas Henriques
O Deputado João José Ferreira de Aguiar dança com Amália Gusmão Coelho,
esposa do desembargador João Antonio de Araújo Freitas Henrique.
João José Ferreira de Aguiar nasceu em 10.01.1810, em Goiana, Pernambuco, e
faleceu em 18.11.1888, no Recife, Pernambuco. Filho de Antônio Ferreira de Aguiar
e de Úrsula das Virgens Martins.
Advogado, jornalista, professor e político. Professor de Direito. Bacharel em
Ciências Jurídicas e Sociais pela Academia de Direito de Olinda, na primeira turma,
de 1832. Juiz de Direito em Fortaleza, Ceará e no Piauí. Lente Catedrático de
Direito Criminal, na Faculdade do Recife, jubilado em 1883. Juiz da 2ª Vara
Criminal do Recife. Presidente da Província do Rio Grande do Norte, de 01.05.1836
a 25.05.1837.
Deputado à Assembléia Geral por Pernambuco, nas 5ª, 8ª, 9ª, 10ª e 16ª
legislaturas, respectivamente: 01.01.1843 a 24.05.1844, 01.01.1850 a
04.09.1852, 03.05.1853 a 20.09.1856, 03.05.1857 a 16.09.1860 (época do baile),
e 01.02.1877 a 14.10.1877.
Presidente da Província do Ceará, de 23.11.1877 a 07.03.1878. Conselheiro do
Império. Comendador da Ordem da Rosa [1860] e agraciado com o título
[05.07.1888] de Barão de Catuama. Sócio do Instituto Histórico e membro dos
Institutos da África e de Paris.
Casou-se em 1883, com Zeferina Carolina da Silva Guimarães, natural do Ceará, e
falecida aos 76 anos de idade, na cidade do Recife, filha do dr. José da Silva
Guimarães, advogado no Recife, e de Joaquina Cândida Perpétua da Costa Barros.
Pais de:
I-1. João Ferreira de Aguiar, n. 08.03.1886, Recife, Pernambuco, bat.
11.05 na Matriz do Sacramento do Recife.
4.º Par
A Sra. do Dr. Freitas Henriques (Amália Gusmão Coelho) dança com o
Deputado Ferreira de Aguiar (João José Ferreira de Aguiar).
O Deputado João José Ferreira de Aguiar teve a honra de dançar com Amália
Gusmão Coelho, nascida por volta de 1825, e filha do General Coelho, e de Maria
Benedita de Gusmão.
Amália foi esposa do desembargador João Antonio de Araújo Freitas Henriques,
nascido em 26.08.1822, em Salvador, Bahia, e falecido em 01.01.1907, no Rio de
Janeiro, sendo sepultado no Cemitério de São João Batista.
Seu marido João Antonio era filho do Coronel João Joaquim de Freitas Henriques e
de Maria Angélica de Araújo Freitas. Desembargador, magistrado e político.
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Academia de Direito de Olinda, em
25.10.1845. Regressando à sua província natal, foi nomeado, em fins desse ano,
Delegado Suplente de Polícia e Juiz Municipal Suplente de São Salvador.
Nomeado Juiz Municipal e de Órfãos dos termos reunidos da Estância e Santa Luzia,
na província de Sergipe, pelo decreto de 21.07.1846. Foi removido para idêntico
cargo no termo de Itaparica, na Bahia, por decreto de 04.04.1849. Concluindo o
quatriênio da lei, foi nomeado para o mesmo cargo, desta vez no termo de
Maragogipe, por decreto de 15.10.1850. Achando-se habilitado, e antes de concluir
o segundo quatriênio, foi nomeado Juiz de Direito da comarca de Atalaia, Província
de Alagoas, por decreto de 03.02.1852; e da comarca de Goiana, Pernambuco, por
decreto de 01.08.1856.
Exerceu o cargo de Chefe de Polícia na Província de Alagoas, interinamente e por
duas vezes. Chefe de Polícia da Província da Paraíba, nomeado pelo decreto de
28.09.1854, e exonerado pelo decreto de 01.08.1856. Chefe de Polícia da Província
da Bahia, nomeado pelo decreto de 21.09.1861, e exonerado pelo decreto de
04.10.1862. Pelo decreto de 08.10.1862, foi designada a comarca de Vitória para
ter exercício do seu cargo, sendo removido para a 1ª Vara do Crime de
Pernambuco, por decreto de 24.01.1863.
Chefe de Polícia da Província de Pernambuco, nomeado pelo decreto de
20.07.1868, ocupando o cargo até 9 de novembro seguinte. Foi nomeado
Desembargador da Relação do Maranhão, pelo decreto de 14.10.1868, sendo
removido para a de Pernambuco, pelo decreto de 18.02.1869, havendo exercido
nessa Relação o cargo de Procurador da Coroa, Soberania e Fazenda Nacional, por
decreto de 03.07.1872, do qual foi exonerado a pedido, em decreto de 25.03.1881.
Filiado ao Partido Conservador, foi eleito Deputado à Assembléia Geral pela Bahia,
nas 15ª e 16ª legislaturas, respectivamente: de 21.12.1872 a 10.10.1875 e de
01.02.1877 a 14.10.1877.
Foi Presidente das Províncias: do Ceará, nomeado em carta de 22.06.1869,
exercendo o cargo de 26.07.1869 a 10.11.1871; da Bahia, nomeado em carta de
04.10.1871, exercendo o cargo de 08.11.1871 a 30.06.1872; de Minas Gerais,
nomeado em 18.09.1874, exercendo o cargo de 26.10.1874 a 21.03.1875; e do
Pará, nomeado a 16.03.1886, exercendo o cargo de 15.04.1886 a 05.10.1886.
Pelo decreto de 27.11.1886, foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal de Justiça;
tomou posse no cargo, em 03.02.1887. Com a organização do Supremo Tribunal
Federal, no regime republicano, foi nomeado Ministro desse tribunal, pelo decreto
de 12.11.1890, tomando posse e sendo eleito seu Presidente na sessão da
instalação, em 28.02.1891. Foi aposentado por decreto de 10.02.1894.
Teve mercê da Carta de Nobreza, passada em 23.08.1860, registrada no Livro I do
Cartório da Nobreza, fl. 45, e desenhada e iluminada pelo heraldista Louis Aleixo
Boulanger, depois escrivão da Nobreza, como ele mesmo declarou em 1866.
Sanches de Baena, assim descreve sua Carta de Brasão: Escudo partido em palla: a
primeira partida em faxa, tendo em cima as armas dos Freitas, em campo vermelho
cinco estrellas de ouro de seis pontas cada uma posta em aspa; e por baixo as dos
Henriques, em campo de prata dois leões de purpura batalhantes, e um manteler
de vermelho, carregado de um castello de ouro, lavrado de preto; na segunda
palla, esquartelada, as armas dos Esmeraldos, que são: no primeiro quartel de
prata uma banda de preto; e no contrario do mesmo, um leão do mesmo, e sobre
elle um filete em banda; no segundo de azul, uma faxa de ouro, e no contrario do
mesmo, uma banda de prata fimbrada de goles. Elmo de prata guarnecido de ouro.
Paquife dos metaes e côres das armas. Timbre o dos Freitas, dois braõs de leão de
ouro em aspa.
Foi agraciado por D. Pedro II com a comenda da Ordem de Cristo, em decreto de
15.02.1871, e o título do Conselho, em decreto de 13.08.1875.
Do casamento de Amália com João Antonio houve:
I-1. I-1. João Joaquim de Freitas Henriques, n. 14.06.1853¸ bat.
30.11.1854, Matriz da Boa Vista, Recife. Casado em 20.10.1888¸
Capela do Palácio Episcopal, Recife, com sua prima Emilia Coelho
de Lemos, já citada acima, em outro par desta mesma dança.
===========================================
2.ª CONTRA-DANÇA
(quatro pares)
“A segunda contradansa SM o Imperador dignou-se dansar com a Sra. Angelita
Magarinos, mulher do deputado Domingos de Souza Leão, tendo por vis-avis o Sr.
deputado Francisco João Carneiro da Cunha com a Senhora do Dr. J. Portella. SM a
Imperatriz dignou-se dansar com o Sr. Dr. Fiuza, presidente da província, tendo por
vis-a-vis o Sr. deputado Villela Tavares com a senhora do Dr. Francisco Xavier de
Oliveira.”
1.º Par
Angelita Magarinos dança com D. Pedro II.
D. Pedro II dança com Angelita Magarinos, Maria de los Angeles Magariños de
Souza Leão, mais tarde Baronesa de Vila Bela, esposa do Dr. Domingos de Souza
Leão, nascida por volta de 1837, em Montevidéu, Uruguai, e falecida em
18.01.1904, aos 67 anos de idade, no Rio de Janeiro, na rua Bambina 86; foi
sepultada no Cem. São João Batista, no bairro de Botafogo. Filha do diplomata Dom
Francisco de Borja de Magariños y Serrato, e de Maria de los Angeles Cervantes.
Seu pai veio para o Brasil em 1841, nomeado Enviado Extraordinário e Ministro
Plenipotenciário do Uruguai no Brasil, pelo decreto de 08.05.1841, tendo renovado
suas credencias, para o mesmo cargo, em 05.06.1847. Trouxe suas filhas, três
delas casadas com brasileiros: dois pernambucanos e um carioca. O filho, Mateo
Magariños Cervantes permaneceu no Uruguai, também seguindo a carreira
diplomática, chegando a exercer o mesmo cargo de seu pai, no Brasil, em missão
especial, em 07.05.1881.
Angelita (Maria de los Angeles) Magariños casou em 12.12.1851, no Rio de Janeiro,
em casa da rua dos Arcos, com um viúvo, o deputado Domingos de Souza Leão –
citado adiante, pois também teve a honra de dançar no baile, na quarta contradança,
justamente com a Imperatriz Teresa Cristina.
Pode parecer que o diplomata Dom Magariños tivesse passado por Pernambuco,
devido ao casamento de duas de suas filhas com dois irmãos pernambucanos, no
entanto, é forçoso esclarecer que todos eles é que se encontravam na corte, onde
Domingos, por exemplo, no ano de seu casamento, exercia o mandato de Deputado
representando a Província de Pernambuco.
2.º Par
Francisco João Carneiro da Cunha dança com a Sra. do Dr. J. Portella
O deputado Francisco João Carneiro da Cunha dança com Emília Carolina da Costa,
esposa do Dr. Joaquim Pires Machado Portella.
Nascido em 1815, em Pernambuco, e falecido em 1874. Filho de João Xavier
Carneiro da Cunha, Moço Fidalgo, administrador da Recebedoria de Pernambuco, e
de Delfina Tertuliana Gama de Oliveira Jácome.
Bacharel em Direito, pela Academia de Direito de Olinda, na turma de 1837.
Deputado à Assembléia Geral por Pernambuco, na 10.ª legislatura, de 03.05.1858 a
16.09.1860 (época do baile).
O Imperador D. Pedro II, no ano de 1860, querendo manifestar o seu apreço à
hospitalidade pernambucana, quando da sua visita ao norte do Brasil, que originou
o baile em pauta, agraciou-o com a Imperial Ordem da Rosa, no grau de Oficial.
Casado com Herminia Poppe da Silva. Pais de:
I-1. João Francisco Carneiro da Cunha.
I-2. Maria Carneiro da Cunha, “Sana”.
2.º Par
A Sra. do Dr. J. Portella (Emília Carolina da Costa) dança com o deputado
Francisco João Carneiro da Cunha
Emília Carolina da Costa, a Miluca, nasceu em 1835, na freguesia da Boa Vista,
Recife, Pernambuco. Filha de Bento José da Costa Filho, bacharel em Direito, e de
Emília Julia Pires Ferreira.
Casada em 1857, em oratório privado no Recife, com seu primo, o Dr. Joaquim
Pires Machado Portella, nascido em 12.03.1827, no Recife, na rua do Colégio,
depois rua do Imperador, e falecido em 13.08.1907, no Rio de Janeiro. Filho de
Joaquim Machado Portela e de Joana Joaquina Pires Ferreira.
Fez seus primeiros estudos no povoado de Muribeca, Pernambuco. Passou a Olinda,
onde se matriculou na Academia de Direito de Olinda, formando-se em ciências
sociais e jurídicas, na turma de 1849. Nomeado juiz municipal e de órfãos da
cidade do Recife, servindo depois os cargos de oficial-maior da secretaria do
governo e de Diretor da Instrução Pública. Lecionou geografia, história e filosofia
em vários colégios.
Deputado provincial, em Pernambuco, por duas legislaturas: 1853-1854 e 1857-
1860. Sendo Vice-Presidente da Província de Pernambuco, assumiu a administração
da Província em 1857, 1861 e 1862.
Deputado à Assembléia Geral por Pernambuco, pelo partido conservador, nas 14ª,
15ª e 16ª legislaturas, respectivamente: 11.05.1869 a 22.05.1872, 21.12.1872 a
10.10.1875 e 01.02.1877 a 14.10.1877.
Presidente das províncias: do Pará, de 07.01.1871 a 02.06.1871; de Minas Gerais,
de 08.11.1871 a 30.06.1872; da Bahia, de 01.07.1872 a 21.10.1873.
O Imperador D. Pedro II, no ano de 1860, querendo manifestar o seu apreço à
hospitalidade pernambucana, quando da sua visita ao norte do Brasil, que originou
o baile em pauta, agraciou-o com a Imperial Ordem da Rosa, no grau de Oficial.
Foi, mais tarde, Dignitário da mesma Ordem da Rosa, em 1875.
Fundador e sócio benemérito do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico
Pernambucano. Sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Membro do
antigo conservatório dramático de Pernambuco. Em 1873 é nomeado o 4º Diretor
do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, à frente do qual permaneceu pelo tempo de
25 anos, até ser aposentado em 1898.
Publicou diversas obras e colaborou em diversos periódicos políticos e literários
desde o tempo de estudante.
3.º Par
Sr. Dr. Fiuza, presidente da província (Luiz Barbalho Muniz Fiuza) dança
com a Imperatriz Teresa Cristina
Dr. Luiz Barbalho Muniz Fiuza, nascido a 25.08.1809, na antiga vila do Bom Jardim,
depois Catuiçara, atual cidade de Santo Amaro, Província da Bahia, e falecido em
11.09.1866, em Salvador, Bahia. Filho do Comendador João Lopes Fiuza Barreto
de Menezes Barbalho e de sua prima-irmã Eugenia Teresa de Menezes.
Começou seus estudos, aos 7 anos de idade, na Bahia. Foi um dos “paraquedistas”
da segunda turma de Direito de Pernambuco, de 1833, pois veio da
Academia de Direito de São Paulo, onde consta seu nome no Livro de Matriculas do
ano de 1829. Bacharel em Direito pela Academia de Olinda, na turma de 1833.
Foi suplente de Deputado à Assembléia Provincial da Bahia nas 4ª, 5ª, 6ª, 7ª e 8ª
legislaturas, entre 1842 e 1849, e 10ª e 11ª legislaturas, entre 1852 e 1855.
Exerceu o mandado de Deputado Provincial, nas 4ª e 5ª legislaturas, de 1842 a
1845. Deputado à Assembléia Geral pela Bahia, nas 9ª e 10ª legislaturas,
respectivamente: 03.05.1853 a 20.09.1856 e 03.05.1857 a 16.09.1860.
Nomeado Presidente da Província de Pernambuco, por Carta Imperial de 15.10.
1859, servindo desta data até 22.04.1860 (época do baile).
O Imperador D. Pedro II, no ano de 1860, querendo manifestar o seu apreço à
hospitalidade recebida, quando da sua visita ao norte do Brasil, que originou o baile
em pauta, agraciou-o, pelo decreto de 14.03.1860, com o título de Barão do Bom
Jardim, título de origem toponímica, tomado do seu local de nascimento.
Casou-se com a prima Francisca de Assis Muniz Barreto, filha de Francisco Moniz
Fiuza Barreto de Menezes (tio de Luiz) e de Eugenia Maria Madalena de Menezes,
nascida por volta de 1812, e falecida em 07.08.1884, Santo Amaro, Bahia, aos 72
anos de idade. Pais de (entre outros):
I-1. Eugenia Teresa Francisca Moniz Fiuza de Menezes, n. 05.10.1852,
Santo Amaro, Bahia, e fal. 01.07.1882, na antiga Vila de São
Francisco da Barra de Sergipe do Conde. Casada, com geração.
4.º Par
Deputado Villela Tavares (Jeronimo Vilela de Castro Tavares) dança com a
senhora do Dr. Francisco Xavier de Oliveira
Jeronimo Vilela de Castro Tavares, nascido em 08.10.1815, em Pernambuco, e
falecido em 25.04.1869, no Recife, Pernambuco. Foi seu corpo velado na igreja de
Nossa Senhora do Carmo, de onde saiu o fúnebre cortejo, no dia seguinte, para ser
sepultado no Cemitério Público do Recife. Depois, foram os seus restos mortais
trasladados para o antigo cemitério da igreja Matriz do Santíssimo Sacramento de
Santo Antonio do Recife, e aí depositados em um túmulo de mármore. Filho do Dr.
Jerônimo Villela Tavares e de Rita Maria Theodora de Castro.
Advogado, jornalista, professor de Direito, parlamentar, literato, poeta e
jurisconsulto. Terminando aos 15 anos os preparatórios necessários ao curso de
Direito, matriculou-se na Academia de Direito de Olinda, em 1831, formando-se,
aos 20 anos de idade, na turma de 1835. Recebeu a Carta de Bacharel a 11.11. e,
depois de brilhante defesa de tese, recebeu o grau de Doutor em Direito em
20.12.1835.
Vice-Diretor do Colégio dos Órfãos de Olinda, por portaria presidencial de
22.08.1834, no qual entrou em exercício a 03.02.1835.
Nomeado Promotor Público da comarca do Bonito, Pernambuco, em 18.04.1836.
Nomeado secretário da presidência da Paraíba, por título de 11.06.1838, do qual foi
exonerado a seu pedido a 03.04.1839. Nomeado Promotor Público da comarca do
Rio Formoso, por portaria de 26.02.1840; removido para a de Garanhuns em
12.01.1841, não assumindo o exercício desse cargo.
Nomeado Lente substituto, em 07.06.1844, da Academia de Direito de Olinda, onde
se tinha formado, e de onde foi retirado por perseguições políticas em 1848.
Nomeado Secretário da presidência da Província de Pernambuco, por título de
18.12.1847, cargo que exerceu até ser exonerado, em 01.04.1848.
Foi um dos mártires da Revolução de 1848. Preso a 03.02.1849, atirado ao porão
da corveta Euterpe, e condenado à prisão perpétua com trabalho, por ser
considerado o cabeça da rebelião. Partiu para o exílio, desterrado na ilha de
Fernando de Noronha, onde, longe de seus familiares, encontrou-se com a poesia.
Ali, acometido por uma grave enfermidade, conseguiu visto e licença para voltar a
Pernambuco em 11.1850, no brigue Liberdade, e foi recolhido à fortaleza do Brum,
onde ficou aprisionado por quase 3 anos. Foi, finalmente, perdoado da pena de
prisão perpétua e, ao mesmo tempo, reintegrado na sua cadeira de lente da
Academia de Olinda, por Decreto de 28.11.1851.
Nomeado lente da primeira cadeira de Direito civil do 4º ano, por Decreto de
23.05.1855. Transferido para a cadeira de Direito eclesiástico do 2º ano, por
Decreto de 01.08.1855. Diretor-geral interino da Instrução Pública de Pernambuco,
em 1859.
Deputado à Assembléia Geral por Pernambuco, nas 6ª, 7ª, 10ª e 11ª legislaturas,
respectivamente: 01.01.1845 A 18.09.1847, 03.05.1848 A 05.10.1848, 03.05.1857
a 16.09.1860 (época do baile), e 03.05.1861 A 12.05.1863.
O Imperador D. Pedro II, no ano de 1860, querendo manifestar o seu apreço à
hospitalidade recebida, quando da sua visita ao norte do Brasil, que originou o baile
em pauta, agraciou-o, pelo decreto de 17.04.1860, com a Imperial Ordem da Rosa,
no grau de Oficial.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Membro Honorário do
Instituto Episcopal do Rio de Janeiro. Membro efetivo da Imperial Sociedade
Amante da Instrução Pública, da corte do Rio de Janeiro.
4.º Par
A senhora do Dr. Francisco Xavier de Oliveira (Joaquina Neves de Oliveira)
dança com o deputado Villela Tavares.
Pouco sabemos sobre Joaquina Neves de Oliveira, que em 1891 ainda era viva, em
Pernambuco, viúva do Dr. Francisco Xavier de Oliveira, falecido a 12 de julho de
1876, em Pernambuco.
O fato de não encontrarmos o nome de Francisco Xavier de Oliveira na lista dos
pernambucanos agraciados pelo Imperador D. Pedro II, em 1860, para manifestar
o seu apreço pela hospitalidade recebida naquela Província, faz-nos crer na
possibilidade de Francisco Xavier não ser natural de Pernambuco.
Tampouco sabemos a origem do seu título Doutor, podendo ser bacharel em Direito
ou em Medicina. Não há na turma de Direito de São Paulo nenhum Francisco Xavier
de Oliveira. Na de Pernambuco, existe para a turma de 1843, um Francisco Xavier
de Oliveira Pereira, natural da Bahia. Até poderia ser o próprio que, no decorrer da
vida profissional, deixa de usar seu último sobrenome – Pereira, mas isto não passa
de conjectura.
O que temos como certo é que Francisco Xavier de Oliveira foi agraciado pelo
Imperador Pedro II, pelo decreto de 06.06.1867, com o título de Barão de Campo
Verde. A origem do título nos traria uma pista, podendo referir-se ao nome de um
Engenho ou Fazenda, ou até mesmo de um povoado, embora não conste nenhum
com esta denominação no Dicionário Topográfico, Estatístico e Histórico da
Província de Pernambuco, impresso em 1863, portanto apenas quatro anos depois
do famoso baile.
Sabemos, no entanto, que em 1867 era proprietário e negociante na cidade do
Recife, província de Pernambuco, já que assim consta nas notas enviadas por Louis
Aleixo Boulanger, Escrivão da Nobreza do Brasil, ao genealogista português
Sanches de Baena, sobre a Carta de Brasão de Armas passada à Francisco Xavier
de Oliveira a 31.07.1867, e registrada no Livro VI do Cartório da Nobreza, fls. 84.
Sanches de Baena a publicou em 1872, assim descrita: Escudo esquartelado: no
primeiro e quarto, em campo verde, uma oliveira de ouro com fructas de sinople e
raízes de prata; no segundo e terceiro, em campo de prata, um caduceo de azul
posto em palla entre duas estrelas de góles. Corôa de barão. Paquife das côres e
metaes do escudo.
Finalmente, para tornar mais confusa esta busca da identidade do Barão de Campo
Verde, consta de sua Carta de Brasão, de 1867, o nome Francisco Xavier de
Oliveira, que é o mesmo nome que aparece, oito anos antes, ao identificarem sua
esposa como par do deputado Villela Tavares, no baile.
Mas... no Almanaque Laemert de 1868, um ano depois da concessão do título, até
1876, data de seu falecimento, seu nome aparece como Francisco José de Oliveira
(?). No ano seguinte, 1877, não há mais figuração alguma, apenas a indicação de
que havia falecido em 12.07.1876, a confirmação como negociante na capital da
província de Pernambuco, e a indicação de sua esposa no rol das baronesas viúvas,
então residente em Pernambuco.
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3.ª CONTRA-DANÇA
(quatro pares)
“A terceira contradansa dignou-se dansar SM o Imperador com a Sra. D. Joaquina
Lemos, mulher do Sr. Lemos, membro da Associação Commercial e o encarregado
do baile, tendo por vis-a-vis o Sr. deputado Augusto de Oliveira com a senhora do
Sr. Antonio dos Santos de Souza Leão. SM a Imperatriz dignou-se dansar com o Sr.
Visconde da Boa Vista, tendo por vis-a-vis o Sr. Filipe de Sá e Albuquerque com a
filha do Sr. Lourenço de Sá e Albuquerque.”
1.º Par
Joaquina Pinto Lemos, mulher do Sr. Lemos, membro da Associação
Commercial e o encarregado do baile dança com o Imperador D. Pedro II
Joaquina Clara de Gusmão Coelho, nascida no Recife em 18.08.1823, batizada da
Matriz do SSmo. Sacramento de Santo Antônio, filha de Joaquim Coelho, Barão da
Vitória, e Bernardina de Gusmão, Baronesa da Vitória. Casou-se em 13.03.1841 na
Matriz do Corpo Santo, Recife, com o proprietário e comerciante João Pinto de
Lemos Junior, citado acima, na primeira contra-dança.
2.º Par
Deputado Augusto d´Oliveira dança com a senhora Antonio dos Santos de
Souza Leão
Dr. Augusto Frederico de Oliveira, comerciante estabelecido em Pernambuco. Filho
do Barão de Beberibe, Francisco Antonio de Oliveira [1788-1855] e de Ana Josefina
Pereira Pinto.
Foi proprietário de belo palacete avarandado, do século XIX, no lugar chamado
Ponte D´Uchoa que, a partir de 1940, tornou-se sede própria do Museu do Estado
de Pernambuco – MEPE, criado em 08.02.1929. O prédio, localizado na Avenida Rui
Barbosa, foi modificado, teve o acréscimo do segundo pavimento.
Foi eleito Deputado à Assembléia Geral Legislativa, por Pernambuco, nas 8ª, 9ª,
10ª e 14ª legislaturas, respectivamente: de 02.05.1850 a 04.09.1852, 03.05.1853
a 20.09.1856, 03.05.1857 a 16.09.1860 (época do baile), e de 11.05.1869 a
22.05.1872.
2.º Par
A senhora Antonio dos Santos de Souza Lea (Francisca Severina Cavalcanti
de Souza Leão), dança com o Deputado Augusto d´Oliveira.
Francisca Severina Cavalcanti de Souza Leão era filha de Manuel de Souza Leão,
Comendador da Ordem da Rosa, e de Francisca Severina Cavalcanti de Souza Leão.
Foi esposa de seu primo, o Major Antonio dos Santos de Souza Leão, filho do
tenente-coronel Domingos de Souza Leão e de Teresa de Jesus dos Santos Coelho.
O Imperador D. Pedro II, no ano de 1860, querendo manifestar o seu apreço à
hospitalidade recebida, quando da sua visita ao norte do Brasil, que originou o baile
em pauta, agraciou-o com a Imperial Ordem da Rosa, no grau de Oficial.
Antonio e sua esposa Francisca Severina foram pais de 8 filhos:
I-1. Manuel Artur de Souza Leão, casado, com geração.
I-2. Maria Adelaide de Souza Leão
I-3. Carlos Augusto de Souza Leão, nascido por volta de 1868, em
Pernambuco. Bacharel em Direito pela Faculdade do Recife, em
1889
I-4. João Antonio de Souza Leão
I-5. Antonio dos Santos de Souza Leão
I-6. Ernesto de Souza Leão
I-7. Maria dos Anjos de Souza Leão
I-8. Domingos de Souza Leão
3.º Par
Visconde da Boa Vista (Francisco do Rego Barros) dança com a Imperatriz
Teresa Cristina.
Francisco do Rego Barros nasceu em 04.11.1802, no Engenho Trapiche, do Cabo de
Santo Agostinho, e falecido em 04.10.1870, no mesmo Engenho.
Oficial do Exército. Assentou Praça em 1817. Por sentença de 17.10.1817, foi
reconhecido Cadete, e continuou a servir no 2º batalhão da divisão dos Voluntários
Leais do Rei. Em 1821, já com a patente de alferes, foi deportado para Lisboa, e
trancafiado na fortaleza de São Julião da Barra. Livre, obteve licença para estudar
em Portugal, onde se matriculou no curso de matemática, em 04.10.1821, e no de
filosofia (obrigatório), a 04.10.1822, na Universidade de Coimbra. Não concluiu o
curso e, em 1823, partiu para a França, onde se matriculou na Universidade de
Paris, no curso de matemática e, finalmente, ali recebeu o grau de bacharel em
matemáticas.
Deputado à Assembléia Geral por Pernambuco, nas 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 8ª legislaturas,
respectivamente: de 03.05.1830 a 06.10.1833, de 03.05.1834 a 15.10.1837, de
03.05.1838 a 21.11.1841, de 03.05.1844 a 24.05.1844; e de 01.01.1850 a
05.04.1850. Senador por Pernambuco, vitalício, de 18.07.1850 a 04.10.1870, data
do seu falecimento. Em 1830, quando eleito para a 2ª legislatura, já era capitão do
estado maior de primeira classe.
Presidente da Província de Pernambuco, em dois mandatos: 02.12.1837 a
02.04.1841, e 07.12.1841 a 03.06.1844. Em 1841 o corpo do comércio da Cidade
do Recife construiu e ofereceu-lhe o palacete da rua da Aurora.
Presidente da Província do Rio Grande do Sul, de 20.07.1865 a 21.01.1867.
Brigadeiro reformado e Comandante Superior da Guarda Nacional do Município do
Recife. Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial, Grande Dignitário da Ordem do
Cruzeiro, Comendador da Ordem de Cristo.
O Imperador D. Pedro II, no ano de 1860, querendo manifestar o seu apreço à
hospitalidade recebida, quando da sua visita ao norte do Brasil, que originou o baile
em pauta, nomeou-o, por decreto de 14.03.1860, Veador de S. M. a Imperatriz
Teresa Cristina.
Agraciado, sucessivamente, com os títulos de Barão da Boa Vista (título de origem
toponímica) [18.07.1841], elevado a Barão com as honras de grandeza
[02.12.1854]. Por decreto de 02.12.1854, foi elevado a Visconde da Boa Vista,
título que ostentava ao dançar com a Imperatriz, no baile.
Finalmente foi elevado a Conde da Boa Vista, por decreto de 28.08.1860. Teve
mercê de Carta de Brasão de Armas, datada de 30.08.1870: escudo partido com as
Armas das famílias Rego (I) e Barros (II). Campanha de ouro com uma cana de
açúcar e um ramo de cafeeiro natural, postos em santor; este em barra e aquela
em banda. Coroa: de barão. Paquife: das cores e metais do escudo.
Casado com Maria Ana Francisca Cavalcanti de Albuquerque Maranhão, nascida em
1816, e falecida em 25.02.1891, no Recife. Por ocasião do baile, quando ainda era
Viscondessa da Boa Vista, teve a honra de abrir o festejo dançando justamente com
o Imperador D. Pedro II, conforme descrevemos acima. Filha do senador Afonso de
Albuquerque Maranhão e de Maria Ana Cavalcanti do Rego Barros. Pais de:
I-1. Afonso do Rego Barros;
I-2. Henrique do Rego Barros;
I-3. Maria Ana do Rego Barros, casada com Joaquim Carneiro Lins de
Albuquer - que, filho de Manuel Carneiro Lins de Albuquerque e de
Amalia Carolina de Moraes
Gomes Ferreira.
4.º Par
Felipe de Sá e Albuquerque dança com a filha de Lourenço de Sá e Albuquerque.
Felipe de Sá e Albuquerque, natural de Pernambuco, era filho do comendador
Lourenço de Sá e Albuquerque, Senhor do Engenho de Guararapes, e de Mariana
Coelho dos Santos.
Dançou, portanto, com sua sobrinha Mariana de Sá e Albuquerque, filha de seu
irmão Lourenço de Sá e Albuquerque e de Candida Ernestina Vitória Paes Barreto,
citados adiante, pois além de Mariana, também sua mãe Candida esteve no baile,
onde teve a honra de dançar, na quinta contra-dança, com o próprio Imperador D.
Pedro II,
O Imperador D. Pedro II, no ano de 1860, querendo manifestar o seu apreço à
hospitalidade recebida, quando da sua visita ao norte do Brasil, que originou o baile
em pauta, agraciou-o com a Ordem de Cristo, no grau de Cavaleiro.
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4.ª CONTRA-DANÇA
(quatro pares)
“A quarta contradansa dignou-se SM o Imperador dansar com a Sra. D. Candida de
Sá e Albuquerque, irmã do actual Ministro da Marinha e mulher do Sr. Lourenço de
Sá, tendo por vis-a-vis o Sr. Manoel Joaquim Carneiro da Cunha com a filha da Sra.
viúva de Itapirema. SM a Imperatriz dignou-se dansar com o deputado Domingos
de Souza Leão, tendo por vis-a-vis o Sr. Manoel Pires Ferreira com a Sra. D.
Genoveva Amorim, mulher do Sr. Antonio Marques de Amorim.”
1.º Par
Sra. D. Candida de Sá e Albuquerque, irmã do atual Ministro da Marinha e
mulher do Sr. Lourenço de Sá, dança com o Imperador D. Pedro II.
Candida Ernestina Vitória Paes Barreto, nobre dama da sociedade pernambucana,
nascida em 1825, e falecida em 12.12.1906. Filha do Capitão-Mor de Cimbres,
Francisco Xavier Paes de Melo Barreto e de Ana Vitória Coelho dos Santos.
Conforme foi identificado na nominação dos pares, era irmã de Francisco Xavier
Paes Barreto, então Ministro da Marinha, nascido em 17.09.1821, em Cimbres,
Pernambuco, e falecido em 28.03.1864, no Rio de Janeiro, no hotel Aurora, bairro
do Andaraí. Magistrado, Deputado à Assembléia Geral, Senador, Presidente das
Províncias da Paraíba, Ceará, Maranhão e Bahia. Ministro dos Estrangeiros e
Ministro da Marinha no 15.º Gabinete, de 10.08.1859 a 02.03.1861 (período do
baile).
Candida Ernestina Vitória foi casada com Lourenço de Sá e Albuquerque, nascido
em 02.12.1797, em Pernambuco, e falecido em 02.12.1897, no Recife,
Pernambuco. Irmão de Felipe de Sá e Albuquerque, que foi o par da sobrinha
Candida no baile. Filho do comendador Lourenço de Sá e Albuquerque, Senhor do
Engenho de Guararapes, e de Mariana Coelho dos Santos.
O Imperador D. Pedro II, no ano de 1860, querendo manifestar o seu apreço à
hospitalidade recebida, quando da sua visita ao norte do Brasil, que originou o baile
em pauta, agraciou-o, por decreto de 11.03.1860, com o título de Barão de
Guararapes, título de origem toponímica, tomado aos montes de Pernambuco. Foi,
alguns anos depois, elevado a Visconde de Guararapes, pelo decreto de
08.03.1880. Comendador da Ordem da Rosa.
Candida e Lourenço foram pais de, pelo menos, três filhos:
I-1. Lourenço Augusto de Sá e Albuquerque, n. 1852, fal. 27.12.1919,
Paris, França. Casado, com geração.
I-2. Mariana de Sá e Albuquerque, que foi uma das jovens dançarinas
do baile de 1859, par de seu tio Felipe de Sá e Albuquerque, na
terceira contra-dança.
I-3. N... de Sá e Albuquerque, que faleceu solteira.
2.º Par
Manoel Joaquim Carneiro da Cunha dançou com a filha da vúva de Itapirema
Dr. Manoel Joaquim Carneiro da Cunha nasceu em 06.01.1811, em Pernambuco,
onde faleceu em 13.08.1868. Filho de Joaquim Manuel Carneiro da Cunha e de
Antônia Maria de Albuquerque Lins.
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Academia de Olinda, na turma de
1834. Doutor em Direito. Esteve na diplomacia, tendo exercido o cargo de adido de
primeira classe na Legação Brasileira, em Viena, Áustria.
Deputado à Assembléia Geral por Pernambuco, na 5ª legislatura, de 01.01.1843 a
24.05.1844. Vice-Presidente de Pernambuco.
Fez parte da Comissão encarregada do orçamento e preparos do Palácio, onde se
hospedou a comitiva Imperial, no Recife. O Imperador D. Pedro II, no ano de 1860,
querendo manifestar o seu apreço à hospitalidade recebida, quando da sua visita ao
norte do Brasil, que originou o baile em pauta, agraciou-o, por decreto de
14.03.1860, com o título de Barão de Vera Cruz.
O Imperador, em seu diário, diz ser Manuel Joaquim homem de muito mais
préstimo e de excelente caráter. Senhor do Engenho Monjope, onde esteve o
Imperador no dia 4 de novembro de 1859.
Casado com Antonia Cavalcanti, Baronesa de Vera Cruz. Sem geração.
2.º Par
Filha da viúva de Itapirema, dança com Manoel Joaquim Carneiro da Cunha
Não foi possível ainda identificar o nome da filha da viúva de Itapirema, porém,
junto com sua mãe, foi anfritriã do Imperador D. Pedro II e família que, no dia
05.11.1859, estiveram no Fazenda de Itapema, na vila de Igarassu.
Era filha de Maria Francisca de Paula Holanda Cavalcanti de Albuquerque, a Viúva
de Itapirema, proprietária de terras em Igarassu, e do Coronel Francisco Paula
Cavalcanti Albuquerque Lacerda.
A “jovem de Itapirema”, que esteve presente no baile, era casada com um filho do
brigadeiro Almeida.
3.º Par
Deputado Domingos de Souza Leão dança com a Imperatriz Teresa Cristina.
Deputado Domingos de Souza Leão, nascido em 16.12.1818, na Fazenda Genipapo,
Pesqueira, Freguesia de S.S. das Montanhas de Cimbres, Pernambuco, em cuja
capela foi batizado a 22.02.1819; falecido em 18.10.1879, no Rio de Janeiro, de
síncope cardíaca, na rua Pereira da Silva 6, bairro de Laranjeiras; sepultado no
Cemitério de São João Batista. Filho do Tenente Coronel Domingos de Souza Leão e
de Teresa de Jesus dos Santos Coelho.
Domingos foi abastado senhor de engenhos. Bacharel em Direito pela Academia de
Direito de Olinda, Pernambuco, na turma de 1839. Deputado à Assembléia Geral
Legislativa, por Pernambuco, nas 8ª, 9ª e 10ª legislaturas, respectivamente:
03.05.1851 a 13.08.1851, 03.05.1853 a 20.09.1856 e 03.05.1857 a 16.09.1860
(época do baile).
Governador da Província de Pernambuco, em duas ocasiões: 13.01.1864 a
01.12.1864 e de 10.05.1867 a 23.07.1868, tendo sido exonerado pelo gabinete
conservador. Recusou em 1868 fazer parte de uma lista tríplice para senador pelo
Amazonas, apesar de estar incompatível pela sua província, de que era presidente.
Ministro e secretário dos negócios estrangeiros, no gabinete de 05.01.1878 que
inaugurou a situação liberal.Exerceu este último cargo de 07.02.1878 a
07.02.1879.
Conselheiro do Império. Chefe do Partido Liberal de Pernambuco. O Imperador D.
Pedro II, no ano de 1860, querendo manifestar o seu apreço à hospitalidade
pernambucana, quando da sua visita ao norte do Brasil, que originou o baile em
pauta, agraciou-o com a Comenda da Ordem da Rosa.
Era irmão do Major Antonio dos Santos de Souza Leão, também agraciado com a
Imperial Ordem da Rosa, no grau de Oficial, pelas mesmas razões de seu irmão.
Domingos foi, ainda, Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de
Vila Viçosa, de Portugal. Recusou duas grã-cruzes da Espanha e da Holanda que lhe
foram conferidas por ocasião da celebração de convenções com esses países,
quando ministro.
Agraciado com o título [Dec. 06.09.1866] de Barão [2º] de Vila Bela. Teve mercê
da Carta de Brasão de Armas, datado de 30.08.1867. Registrado no Cartório da
Nobreza, Livro VI, fls. 68: um escudo esquartelado: no primeiro e no quarto
quartel, em campo de prata, cinco escudetes de azul, em cruz, carregados, cada
um, de cinco besantes do campo - representam as armas de Portugal antigo; no
segundo e no terceiro quartel, em campo de ouro, um leão vermelho rompente -
que representa as armas da família Souza do Prado, com diferença. Coroa de
barão. Timbre: o leão vermelho das armas com uma grinalda de prata de verde à
cabeça. Envolto o escudo por duas canas-de-açúcar folhadas, passadas em aspa.
Abastado senhor de engenhos. Senhor do Engenho Caraúna, em Jaboatão,
Pernambuco.
Foi casado duas vezes: em primeiras núpcias, a 01.01.1842, no Engenho Una, PE,
com sua prima co-irmã Francisca Guilhermina de Mello Barreto, falecida de parto do
seu primeiro filho; fiilha do capitão-mor Francisco Xavier Paes de Mello Barreto e de
Ana Victória Coelho dos Santos. E em segundas núpcias, a 12.12.1851, no Rio de
Janeiro, em casa da rua dos Arcos, com Maria de los Angeles de Borjas Magarinos,
Angelita [1836, Montevidéu, Uruguai - 18.10.1904, Rio, RJ], Baronesa de Vila Bela,
citada cima por ser par do Imperador D. Pedro II, na primeira contra-dança.
Pai de (1.º matrimônio):
I-1. Domingos de Souza Leão, n. 1843, fal. 1867, solteiro - Estudou
engenharia em Paris.
(2.º matrimônio):
I-2. Francisco Magariños de Souza Leão, nascido em 01.11.1852, no
Engenho Caraúna. Doutor - Bacharel em Direito em 1876.
I-3. Maria dos Anjos de Souza Leão, n. c1856¸fal. 1892, no Rio de
Janeiro. Casada, com geração.
4.º Par
Manoel Pires Ferreira dança com Genoveva Amorim, mulher do Sr. Antonio
Marques Amorim
Manuel Pires Ferreira, nascido em 1809, a bordo do navio de seu pai "Espada de
Ferro"; foi batizado na Vila da Praia, Ilha de São Tiago do Cabo Verde, e faleceu em
05.10.1879, no Recife (Boa Vista), Pernambuco. Filho de Gervásio Pires Ferreira e
de Genoveva Perpétua de Jesus Caldas.
Abastado comerciante no Recife. Agricultor. Senhor do Engenho Bulhôes na
freguesia de Santo Amaro de Jaboatão, Pernambuco. Coronel da Guarda Nacional.
Cavaleiro da Ordem de Cristo. Sem geração.
4.º Par
D. Genoveva Amorim, mulher de Antonio Marques Amorim, dança com
Manoel Pires Ferreira.
Pouco sabemos informar sobre Genoveva Amorim. No entanto, esta foi a única que
teve a honra de dançar duas vezes nas primeiras cinco contra-danças, uma com
Manuel Pires Ferreira e outra com o próprio Imperador D. Pedro II.
Casada com Antonio Marques Amorim, presidente da Associação Comercial, por
ocasião do baile, e que segue adiante, por ter participado da quinta e última contradança.
Trabalho de Fernando Loyo de Meira Lins - GENOVEVA PERPETUA DA COSTA, filha
de Bento José da Costa Jr. e de Emilia Julia Pires Ferreira, n. 18.03.1826 no Recife.
b. 15.05.1826 na Capela N.S da Conceição de Ponte d'Uchoa. Celebrante: Pe.
Mestre Laurentino Antonio Moreira de Carvalho. Padrinhos: Cel. Bento José da
Costa e Genoveva Perpetua de Jesus Caldas (Lv. 04, fl.55 Matriz S.S da Boa Vista).
f. no Recife. Cas. com Antonio Marques d'Amorim em Oratório particular da casa do
pai aos 29.06.1850 na presença do Vig. Pe. Manoel Joaquim Moreira Sobreira e
testemunhas Bento José da Costa Jr. e Joaquim José d'Amorim (Lv.02, fls.96/96v
Matriz S.S da Boa Vista).
Pais de:
1. Emilia Marques d'Amorim - n. 21.12.1851 no Recife, fal.
02.12.1906 também no Recife. Solteira, sem geração.
2. Genoveva Marques d'Amorim - n. 21.01.1853 no Recife,
fal. 26.04.1916 também no Recife. Cas. com o primo Manoel João
d'Amorim, com geração.
3. Alice Marques d'Amorim - n. 20.02.1854 no Recife, fal. 03.12.1921
também no Recife. Cas. com João José d'Amorim, com geração.
4. Antonio Marques d'Amorim Junior - n. 20.07.18756 no Recife, fal.
04.05.1910 também no Recife. Cas. com Isabel Emilia Ramos da
Costa, com geração.
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5.ª CONTRA-DANÇA
(quatro pares)
“A quinta contradansa e a ultima que dansaram SS MM, dignou-se dansar SM o
Imperador com a Sra. D. Genoveva Amorim, mulher do Sr. Antonio Marques de
Amorim, Presidente da Associação Commercial, tendo por vis-a-vis o Sr. Manoel
José da Costa com a senhora do Dr. Joaquim Portella. SM a Imperatriz dignou-se
dansar com o Sr. Barão de Camaragibe, tendo por vis-a-vis o Sr. Antonio Marques
de Amorim com a senhora do Dr. Castro.”
1.º Par
D. Genoveva Amorim, mulher de Antonio Marques Amorim, dança com o
Imperador D. Pedro II.
Conforme foi dito acima, na quarta contra-dança, Genoveva Amorim foi a única a
participar de duas danças, nas cinco contra-danças em que também dançaram o
Imperador e a Imperatriz. Fez par com Manuel Pires Ferreira, na quarta contradança,
e com o Imperador D. Pedro II, nesta quinta e última.
Casada com Antonio Marques Amorim, presidente da Associação Comercial, que
segue adiante, por ter participado da quinta e última contra-dança.
2.º Par
Manoel José da Costa dança com Joaquina Portella.
Manuel José da Costa nasceu em 1809, no Recife, Pernambuco, onde faleceu em
05.11.1883. Filho de Bento José da Costa, homem de imensa fortuna, e de Ana
Maria Teodora.
Fez seus estudos na Europa. Chefe político. Deputado estadual em Pernambuco, de
1834 a 1837. Coronel da Guarda Nacional.
Senhor do engenho das Mercês, em Ipojuca, no qual hospedou o Imperador D.
Pedro II, na noite do dia 10 para 11 de dezembro de 1859. O Imperador, no ano de
1860, querendo manifestar o seu apreço à hospitalidade recebida, quando da sua
visita ao norte do Brasil, que originou o baile em pauta, agraciou-o com a comenda
da Ordem da Rosa.
Comendador da Imperial Ordem de Cristo. Agraciado com o título de Barão de
Mercês, pelo decreto de 24.08.1870, título este de origem toponímica, tomado do
nome de seu engenho – onde hospedou o Imperador D. Pedro II.
Escreveu Eleição da freguesia de Ipojuca, Pernambuco, impressa em 1863, 53 pp,
in-8.º
Casou duas vezes: a primeira, em 04.10.1831, no Recife, com sua prima Caetana
Candida Gomes, nascida em 1811, no Recife, Pernambuco, onde faleceu depois de
1848, filha de Joaquim Candido Gomes, comerciante, e de Catarina Maria da
Conçeição Gomes. Casado, em segundas núpcias, depois de 1848, com Maria
Felismina.
Pai de (1.º matrimônio):
I-1. Joaquim Manuel da Costa, n. 29.06.1832, Recife. Comerciante.
Casado, com geração.
I-2. Ana, fal. Com 16 horas de vida em 04.08.1833, Recife.
I-3. Ana Candida da Costa, n. 17.11.1834¸ Engenho Mercês, Recife.
Casada.
I-4. Caetana Carolina da Costa, n. 06.08.1836¸ Engenho Mercês,
Recife. Casada, com geração.
I-5. Manuel José da Costa Júnior, nascido em 1842¸ no Engenho
Mercês, Recife, Pernambuco, e falecido em 1891, no Recife,
Pernambuco. Comerciante. Casado, com geração.
I-6. José Candido da Costa, n. 1844¸ Engenho Mercês, Recife.
I-7. Alípio José da Costa, n. 1846¸ Engenho Mercês, Recife; fal.
19.08.1881. Advogado formado no Recife em 1871. Casado, com
geração.
I-8. Idalina Augusta da Costa, n. 26.11.1848¸ Engenho Mercês, Recife.
Casada, com geração.
2.º Par
A Sra. do Dr. Joaquim Portella dançou com Manoel José da Costa
Emília Carolina da Costa já havia sido par do deputado Francisco João Carneiro da
Cunha na 2ª contra-dança.
3.º Par
Barão de Camaragibe (Pedro Francisco de Paula Holanda Cavalcanti de
Albuquerque) dança com a Imperatriz Teresa Cristina.
Pedro Francisco de Paula Holanda Cavalcanti de Albuquerque nasceu em
19.04.1806, Jaboatão, Pernambuco, e faleceu em 02.12.1875, em Camaragibe,
Pernambuco. Filho de Antonio Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de
Albuquerque, Coronel Suassuna, senhor dos Engenhos Suassuna, Pantorra e
Carrapato; e de Maria Rita de Albuquerque e Melo.
Professor de direito e advogado. Matriculado no curso de Matemática da
Universidade de Coimbra, em 1821. Estudou em Coimbra e na Alemanha. Diretor
da Academia de Direito de Olinda, e da Academia de São Paulo.
Importante Chefe Político. Deputado à Assembléia Geral Legislativa, por
Pernambuco, nas 2.ª, 5.ª, 10.ª, 11.ª e 14.ª legislaturas, respectivamente:
03.05.1832 a 21.10.1832, 24.04.1843 a 24.05.1844, 03.05.1857 a 16.09.1860,
02.05.1861 a 12.05.1863 e 11.05.1869 a 22.06.1869]. Presidente da Câmara dos
Deputados [1861-1863]. Senador do Império, por Pernambuco, de 23.06.1869 a
02.12.1875, data do seu falecimento. Vice-Presidente do Senado, de 05.05.1874 a
03.05.1875.
Membro do Conselho e grande do Império.
Senhor do Engenho Camaragibe. Foi agraciado com o título de Barão com honras
de grandeza de Camaragibe, por decreto de 30.11.1855. Título de origem
toponímica, tomado do nome do seu engenho. O Imperador D. Pedro II, no ano de
1860, querendo manifestar o seu apreço à hospitalidade recebida, quando da sua
visita ao norte do Brasil, no ano anterior, o elevou, por decreto de 09.03.1860, ao
título de Visconde com honras de grandeza de Camaragibe.
Casado com Ana Tereza Correia de Araújo, por volta de 1810, e falecido em
17.09.1862. Baronesa e Viscondessa com grandeza de Camaragibe, filha do coronel
Manuel Corrêa de Araújo.
4.º Par
Antonio Marques de Amorim com a senhora do Dr. Castro
Antonio Marques Amorim, deputado suplente pela Província de Pernambuco, na 10ª
legislatura, de 1857 a 1860. Presidente da Associação Comercial, por ocasião em
que foi oferecido o baile para a Família Imperial.
O Imperador D. Pedro II, no ano de 1860, querendo manifestar o seu apreço à
hospitalidade recebida, quando da sua visita ao norte do Brasil, que originou o baile
em pauta, agraciou-o com a comenda da Ordem da Rosa.
Casado com Genoveva Amorim, que teve a honra de dançar duas vezes nas cinco
contra-danças, uma com Manuel Pires Ferreira e outra com o próprio Imperador D.
Pedro II.
Trabalho de Fernando Loyo de Meira Lins - Nasc. 20.09.1822 no Distrito de São Frei
Pedro Gonçalves do Recife. b. 17.11.1822 na Igreja Matriz do Corpo Santo.
Celebrante: Pe. João de Deos da Costa. Padrinhos: Antonio Marques da Costa
Soares e Paula Marques da Costa Soares (Lv.19, fl.147). Dedicado ao comércio,
empreendimentos securitários, empresariais, bancários, atividades políticas e
educacionais. Após o falecimento do seu pai, Antonio José d'Amorim, organiza a
firma de razão social "Viúva Amorim & Filho", localizada à rua da Cruz nº 45 em
sociedade com a sua mãe, Maria Francisca Marques d'Amorim explorando o ramo
de comércio em grosso. Estabeleceu-se ainda por conta própria com armazém de
açúcar à rua do Apolo nº 12 para exportação do produto.Vice-consul da Cidade
Livre Anseática de Lübeck. Vice-presidente da Associação de Colonização de
Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Membro da Diretoria da Caixa Econômica da
Cidade do Recife. Secretário da Associação Comercial de Pernambuco durante os
períodos 1853/54, 1854/55. Presidente da referida Associação durante os períodos
1857/58, 1858/59, 1859/60, 1860/61, e l861/62. Suplente de Deputado Provincial
pelo 1º Distrito de Ponte d'Uchoa, na primeira legislatura do ano de 1857.
Deputado à Assembléia Geral Legislativa da Província de Pernambuco no ano de
1860. Secretário da Caixa Filial do Banco do Brasil de Pernambuco. Secretário da
Companhia de Navegação Costeira a Vapor. Suplente da Mesa da Assembléia Geral
da Companhia de Seguros Marítimos Indenizadora. Agente da Companhia
Pernambucana de Vapores. Agente da Companhia de Seguros Marítimos e
Terrestres do Império do Brasil. Comendador da Imperial Oden da Rosa por
decreto imperial de 14.03.1860. Membro da Comissão Fiscal da Associação
Comercial Beneficente de Pernambuco em 1860. Em 06.03.1860 organiza a firma
de razão social "Amorim, Fragoso, Santos & Cia", estabelecida com escritório no
Largo do Corpo Santo como sociedade bancária coletiva, e em comandita. A
sociedade entretanto, teve duração de apenas dois anos, e em 18.06.1862, dois
dias após ter cessado as suas transações teve decretada a sua falência por edital
tornado publico pelo Juiz Especial do Tribunal do Comércio de Pernambuco, Dr.
Tristão de Alencar Araripe, A sentença final proferida pelo citado juiz datada de
09.03.1863 qualifica a falência "culposa e fraudulenta considerando os tres sócios
como incursos nas penas do Art.263 do Código Criminal ficando sujeitos à prisão e
livramento na forma da lei". Antonio Marques d'Amorim logo após a decretação da
falência da sociedade, e da ordem de prisão, refugia-se em Portugal, afim de evitar
a sua captura, que fora solicitada pelo juiz, por não ter comparecido à audiência
preliminar do termo de inventário da firma falida. De regresso à Pernambuco
dedica-se ao magistério, instalando à rua do Hospício nº 22 o Colégio Santa
Genoveva, inaugurado em 02.03.1868 do qual era Diretor-Proprietário. O colégio
destinava-se ao ensino básico. Antonio Marques d'Amorim faleceu no Recife em
28.12.1893 de "Erysipela gangrenosa" e foi sepultado no Cemitério Público de
Santo Amaro, com atestado do Dr. Pontual (Lv.Ob.03, fl.55v,reg.92 Cartório do
Distrito das Graças).
4.º Par
Senhora do Dr. Castro dançou com Antonio Marques de Amorim
Infelizmente não houve ainda oportunidade de identificar quem seja o Dr. Castro e
sua esposa.
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“Eram 2 horas quando SS MM II houveram por bem subir ao segundo andar do
edificio , onde n´um vastissimo são estava servida uma esplendida mesa especial,
alem de uma outra ricamente preparada com 200 talhesres. Depois de uma ligeira
refeição SS MM II se retiraram dando por fim o baile que pouco mais se prolongou.
Foi uma verdadeira festa de rei, onde rivalisou a grandeza e o luxo. Entre os muitos
e ricos toilets que ali brilharam, sobre-sahiram por seu bom gosto, riqueza e
elegancia, alem do de SM a Imperatriz, os das senhoras Viscondessa da BVista,
viuva Gomes Ferreira, Genoveva Amorim, Magarinos, Candido de Sá, Joaquina
Lemos, Camillo Pires Araujo, Castro, Rufino e Fiuza. O Serviço foi completo e
abundavam os tres elementos de um baile, flores, musica e luzes. Todo o edificio
estava illuminado por bicos de gaz.”

Jornal do Recife, 24.12.1859

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