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Presidente Jair Bolsonaro diz que ama o Nordeste e tem sangue 'cabra da peste' na família


Ao inaugurar um aeroporto no interior da Bahia nesta terça-feira (23), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que ama o Nordeste e que faz um governo sem divisão por região. "Não estamos no Nordeste, estamos no Brasil", disse o presidente, que falou ainda em "sangue cabra da peste" na família. Essa foi a primeira visita do presidente à região após ter sido divulgado um vídeo em que Bolsonaro fala sobre "governadores de paraíba" e cita o governador do Maranhão. "Não tem que ter nada para esse cara [Dino]".

Após essa fala polêmica à governadores do Nordeste, Bolsonaro negou que tenha usado o termo "paraíba" para criticar nordestinos e disse que as críticas foram direcionadas a dois governadores: Flávio Dino (PC do B), do Maranhão, e João Azevedo (PSB), da Paraíba. O governador da Bahia, Rui Costa (PT), que não apareceu no evento, vetou a participação da Polícia Militar da Bahia na segurança do ato de inauguração do novo aeroporto de Vitória da Conquista (518 km de Salvador), com a participação de Bolsonaro.

A medida foi criticada por Bolsonaro em uma rede social: "Lamentável a decisão do governador da Bahia que não autorizou a presença da Polícia Militar para a nossa segurança. Pior ainda, passou a responsabilidade de tal negativa ao seu Comandante Geral", disse. A inauguração do novo aeroporto acontece em meio a uma disputa de bastidor entre governador e o presidente pela paternidade da obra. A obra do novo aeroporto, que terá tem capacidade para atender até 500 mil passageiros por ano, foi executada pelo Governo da Bahia. Foram investidos R$ 106 milhões, sendo R$ 75 milhões do governo federal e R$ 31 milhões do governo do Estado.mais aqui

Personalidade Nestor de Holanda Cavalcanti Neto – por Pedro Ferrer.

Nasceu na Vitória de Santo Antão, no ano de 1921. Desde cedo mostrou pendores para as letras. Era neto do Nestor de Holanda Cavalcanti, farmacêutico, estabelecido na atual João Cleofas. Ficou órfão ainda criança. Sua genitora ficou residindo algum tempo na casa dos sogros. Logo partiu para o Recife, levando em sua companhia o casal de filhos. Foram residir na rua do Sossego, bairro da Boa Vista. Mais tarde ele escreveria um romance cognominado: "Sossego, rua da revolução".

Na capital trabalhou na imprensa, escreveu peças, poesias e compôs inúmeras músicas em parceria com Nelson Ferreira, Levino Ferreira, Luís Gonzaga. Aos 19 anos partiu para o Rio de Janeiro. Sua veia de escritor abriu-lhe as portas de revistas, jornais, rádios, teatros e finalmente TV.

Trabalhou em inúmeros jornais. Foi redator de rádios e TV. Escreveu muitas peças para teatro de revistas e compôs centenas de músicas. Entre seus parceiros citaria: Ary Barroso, Dolores Duran, Lamartine Babo, Ismael Neto, Haroldo Lobo. Suas crônicas prendiam-se muito a fatos ocorridos no Rio de Janeiro e na sua terra natal. Merecidamente ganhou o título de Cidadão do Estado da Guanabara. Nessa época seu livro, "A ignorância ao alcance de todos", vendeu 120 mil exemplares, valendo-lhe o título de  escritor de maior venda no Brasil, na década de 1960. Nestor morreu jovem, no dia 30 de novembro de 1970, com apenas 49 anos. Jorge Amado, o famoso escritor baiano, resumiu em três linhas a importância, o valor e a originalidade de Nestor de Holanda: "Com Nestor de Holanda estamos longe de todo formalismo sem sentido com que certos escritores buscam esconder a inutilidade de sua voz. Nestor é um homem do seu tempo e do seu povo".

Recomendo ao leitor seu livro "O decúbito da mulher morta". História ocorrida na nossa cidade.


Finalizo transcrevendo algumas palavras escritas por Rachel de Queiroz, escritora cearense, primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, por ocasião da sua morte: ""Contista e, acima de tudo, cronista, esse pernambucano de Vitória de Santo Antão assimilou melhor do que ninguém a alma e a graça do carioca, sua irreverência, seu humor desabusado, sua mordente sátira, entremeada de momentos de enternecimento e romantismo. Curioso é que conseguiu figurar assim entre os mais "cariocas" dos cronistas desta cidade do Rio, sem por um instante imolar sua condição de homem vindo do Norte, parte daquela frente migratória anunciada por Manuel Bandeira em "São os do Norte que vêm". O carioquíssimo "Sargento Iolando" jamais esqueceu ou sonegou o menino de Vitória, suas lembranças, saudades, e pontos de vista. A simbiose de ambos foi o milagre do talento – talento era coisa que não faltava a esse que nós choramos tão cedo, partido muito antes do seu tempo natural, quando ainda teria tanto para dar ao jornalismo, nas letras, na vida."
Pedro Ferrer – presidente do Instituto Histórico da Vitória. link do artigo Aqui